Músicas traduzidas: Jolene

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Jolene é uma música muito conhecida de Dolly Parton, e que dá o nome ao seu álbum de 1974. Ela foi o single número um da Billboard em 1974 e está na lista das ‘500 melhores músicas de todos os tempos’ da revista Rolling Stone.

A música conta a história de uma dona de casa que confronta uma mulher que ela acredita estar tentando roubar seu marido, e lhe pede para que ela não o leve embora. Parton disse que para compor a música, inspirou-se em uma caixa de banco ruiva e muito bonita, que ela imaginava que estava flertando com seu marido. O marido em questão havia começado a fazer visitas frequentes ao banco. Em suas apresntações ao vivo, Dolly afirmava que brigou com a mulher por seu marido, ‘com unhas e dentes’. Ela também disse que o nome Jolene veio de uma garotinha ruiva que lhe pediu autógrafo após um show.

A música foi regravada diversas vezes; entre os covers mais famosos estão Olivia Newton John, White Stripes, Keith Urban, Reba McIntire, Mindy Smith, Paula Cole, além de alguns competidores do American Idol: Alexis Grace (AI8), Klancy Keough (Australian Idol 3) e Brooke White (AI7). Adoro a versão de Brooke White, que foi muito elogiada pela própria Dolly no programa.

Clique no player para ouvir a música com Brooke White e veja os vídeos com Dolly Parton e White Stripes no final do artigo.

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Jolene

(Dolly Parton)

Jolene, jolene, jolene, jolene
Im begging of you please don’t take my man
Jolene, jolene, jolene, jolene
Please don’t take him just because you can
Your beauty is beyond compare
With flaming locks of auburn hair
With ivory skin and eyes of emerald green
Your smile is like a breath of spring
Your voice is soft like summer rain
And I cannot compete with you, jolene

He talks about you in his sleep
There’s nothing I can do to keep
From crying when he calls your name, jolene

And I can easily understand
How you could easily take my man
But you don’t know what he means to me, jolene

Jolene, jolene, jolene, jolene
Im begging of you please don’t take my man
Jolene, jolene, jolene, jolene
Please don’t take him just because you can

You could have your choice of men
But I could never love again
Hes the only one for me, jolene

I had to have this talk with you
My happiness depends on you
And whatever you decide to do, jolene

Jolene, jolene, jolene, jolene
Im begging of you please don’t take my man
Jolene, jolene, jolene, jolene
Please don’t take him even though you can
Jolene, jolene

Jolene

(tradução de Cristine Martin)

Jolene, jolene, jolene, jolene
Estou lhe implorando, não leve meu homem embora
Jolene, jolene, jolene, jolene
Não o leve apenas porque você pode

Sua beleza é incomparável
Com cachos flamejantes de cabelo ruivo
Pele de marfim e olhos verdes de esmeralda
Seu sorriso é uma brisa de primavera
Sua voz é suave como a chuva de verão
E não posso competir com você, Jolene

Ele fala sobre você enquanto dorme
Não há nada que eu possa fazer para evitar
Chorar quando ele fala seu nome, Jolene

Jolene, jolene, jolene, jolene
Estou lhe pedindo, não leve meu homem embora
Jolene, jolene, jolene, jolene
Não o leve apenas porque você pode

Você pode ter o homem que escolher
Mas eu nunca amarei novamente
Ele é o único para mim, Jolene
Eu tive de falar com você
Minha felicidade depende de você
E do que você decidir fazer, Jolene

Jolene, jolene, jolene, jolene
Estou lhe pedindo, não leve meu homem
Jolene, jolene, jolene, jolene
Por favor, não o leve mesmo que você possa

Jolene, jolene

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Vídeo - Jolene - Dolly Parton (1973, reparem no cabelão!)

Vídeo: Jolene - White Stripes

Razão e Sensibilidade

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Escolhi este livro para o mês de janeiro do Desafio Literário porque, apesar de não ser exatamente um romance de banca, encaixa-se na categoria de livros da Penguin, ou edições de bolso vendidas em banca. E também porque já estava na minha listinha de livros que eu queria ler. ;-)

Em Razão e Sensibilidade Jane Austen mostra os usos e costumes das famílias inglesas do século XVIII, desta vez  concentrando-se nas duas personagens principais: as irmãs Dashwood.

Elinor e Marianne são as filhas mais velhas do Sr. Dashwood.  Após sua morte, a propriedade Norland fica para John, filho de seu primeiro casamento, e as irmãs ficam à mercê da boa vontade do meio-irmão e de sua esposa, Fanny.

Para evitar constrangimentos, a Sra Dashwood e suas três filhas (há ainda a caçula, Margaret) mudam-se para Barton, em um chalé alugado que é mais adequado ao seu orçamento; decisão essa que é tomada por Elinor, a irmã com bom senso. Marianne é a irmã com excesso de sensibilidade, impulsiva e com opiniões firmes, apesar de tais opiniões serem causadas pelo que as outras pessoas pensam e esperam dela.

Elinor é mais reservada, e analisa muito os fatos e pessoas antes de formar qualquer juízo. Apesar de tantas diferenças, as irmãs se adoram e querem a felicidade uma da outra.

A primeira versão do romance foi escrita em 1795, quando Austen tinha 19 anos. O título era Elinor and Marianne, e este seu primeiro livro era um romance epistolar. As personagens principais foram inspiradas nela mesma e em sua irmã Cassandra, que era reservada e ajuizada. Desnecessário dizer que Jane era a irmã sensível.

Durante o desenrolar da história ambas descobrem o amor: Elinor interessa-se por Edward Ferrars, irmão de sua cunhada. Marianne apaixona-se por Willoughby, um jovem cavalheiro cuja fortuna depende de uma possível herança e das boas graças da Sra Smith. Mas os dois romances enfrentam dificuldades, e a reação das duas irmãs à desilusão amorosa não poderia ser mais diferente.

Elinor suporta estoicamente a desilusão, sem expressar seu sofrimento para poupar as pessoas queridas de ver sua aflição sem poder fazer nada a respeito. Marianne entrega-se ao desespero e à depressão, pois acredita que é impossível amar mais de uma vez.  Com paciência, o Coronel Brandon, vizinho mais velho e reservado, tenta ajudar Marianne  a superar sua desilusão e a dar uma nova chance ao amor.

Depois de algumas histórias secundárias, mal -entendidos e  complicações na trama, acontece o esperado final feliz.

O que é interessante nos livros de Jane Austen é sua minuciosa descrição dos costumes da época, um tempo em que as aparências e o dinheiro eram de suprema importância, as mocinhas aguardavam ansiosas o pedido de casamento, e muitos amores naufragavam porque era mais importante garantir uma boa renda de alguns milhares de libras, ou fazer a vontade de um parente rico que poderia ou não deixar-lhe uma polpuda herança.

Além disso, apesar das famílias descritas não serem ricas, ninguém trabalhava; um homem poderia dedicar-se à carreira militar, ao direito ou à vida eclesiástica, mas o que importava era quantos milhares de libras teria de renda por ano. Todos viviam desses juros, e tinham no mínimo um ou dois criados.  Uma moça que não conseguisse casar poderia trabalhar como governanta para garantir seu sustento, pois as mulheres não podiam herdar nada. E o casamento deveria acontecer muito cedo na vida de uma mulher.

“-Mas pelo menos, mamãe, você não pode negar o absurdo da acusação, mesmo que reconheça que não foi por maldade. O Coronel Brandon certamente é mais jovem que a Sra. Jennings, mas ele é velho o suficiente para ser MEU pai, e se ele alguma vez já esteve animado a ponto de se apaixonar, já deve ter superado todas as sensações desse tipo. É muito ridículo! Quando um homem estará a salvo de tal ameaça, se a idade e a doença não o protegerem?

- Doença! - disse Elinor- Está dizendo que o Coronel Brandon é doente? Posso imaginar que sua idade pareça muito maior para você do que para minha mãe, mas você não pode negar que ele faça pleno uso de seus  braços e pernas!

- Não o ouviu queixar-se de reumatismo? E não é essa a enfermidade mais comum no final da vida?

- Minha querida criança - disse sua mãe, rindo - a esta altura você deve estar em um terror contínuo quanto à MINHA decadência; e deve parecer um milagre que minha vida tenha se prolongado até a avançada idade de quarenta anos.

- Mamãe, você não está sendo justa comigo. Sei muito bem que o Coronel Brandon não é tão velho a ponto de deixar seis amigos preocupados com a possibilidade de perdê-lo por causas naturais. Ele pode viver ainda mais vinte anos. Mas trinta e cinco anos não têm nada a ver com o matrimônio.

-Talvez - disse Elinor - trinta e cinco e dezessete não devam ter nada a ver com o matrimônio entre si. Mas se uma mulher ainda estivesse solteira aos vinte e sete, não creio que o fato do Coronel Brandon ter trinta e cinco seria alguma objeção a casar-se com ELA.

-Uma mulher de vinte e sete - disse Marianne, após uma pausa - não pode esperar sentir ou inspirar afeição novamente, e se sua casa não for confortável, ou se sua fortuna for pequena, suponho que ela possa desempenhar a função de enfermeira do marido, para garantir a manutenção e segurança de sua vida como esposa. O casamento com tal mulher não seria  inadequado. Seria um acordo de conveniência, e o mundo estaria satisfeito. A meus olhos não seria de forma alguma um matrimônio. Para mim seria apenas um contrato comercial, no qual cada parte seria beneficiada às custas da outra. “

Outro ponto interessante no livro é a formação do caráter dos personagens, influenciado pelas convenções sociais e pelos hábitos de comodismo e conforto material, dos quais não admitem abrir mão. Willoughby é um exemplo disso. No decorrer da história também vemos a mudança ocorrida em Marianne, que depois de vários sofrimentos emocionais e desilusões, amadurece e começa a ver a vida com outros olhos. Sua sensibilidade agora é temperada com a razão de Elinor, tornando-a uma pessoa melhor.

“Elinor nada disse. Seus pensamentos estavam fixos no mal irreparável que uma independência prematura demais e seus conseqüentes hábitos de preguiça, dissipação e luxo haviam feito ao caráter e à felicidade de um homem que, com todas as vantagens de inteligência e talento, apresentava a tendência a ser naturalmente franco e honesto, sensível e afetuoso. O mundo o tornara extravagante e superficial… A extravagância e a vaidade haviam feito dele uma pessoa de coração duro e egoísta. A vaidade, que o levara a procurar um triunfo culpado à custa de outrem, envolvera-o em uma afeição verdadeira que a extravagância, ou talvez os seus resultados, e a necessidade haviam exigido que sacrificasse. Cada falta cometida que o dirigia para o mal levara-o também para o castigo. Todos os seus pensamentos eram governados pelo relacionamento, agora mais do que nunca impossível, que rompera indo contra a honra, o sentimento e todas as boas qualidades que ainda conservava em si. E o casamento, com o qual ele fizera, sem o menor escrúpulo, Marianne tornar-se miseravelmente infeliz, transformara-se em uma fonte de infelicidade para ele mesmo, da qual jamais poderia se livrar.”

Foto: Mooviees.com

Apesar de parecer apenas um romance água-com-açúcar, este é um livro bem construído, com descrições minuciosas, boa crítica social dos costumes da época e, pelo menos nas duas personagens principais, os personagens são multidimensionais e complexos. Também pode ser encarado como uma crítica aos romances excessivamente românticos em moda na sua época, com sutil ironia.

Filme

Tendo visto o filme de 1995 antes de ler o livro, é difícil ler a história sem imaginar os personagens como no filme. Neste caso o leitor não sai perdendo, pois a adaptação dirigida por Ang Lee é excelente. O elenco de ótimos atores dá conta do recado com competência, e o roteiro de Emma Thompson premiado com o Oscar conseguiu incluir todos os detalhes da história e manter uma unidade coerente.

As interpretações de Emma Thompson (Elinor) e Kate Winslet (Marianne) dão vida às personagens principais, tendo sido indicadas aos Oscar de Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante, respectivamente. Elas contam com o apoio de Alan Rickman (coronel Brandon)  e Hugh Grant (Edward), além de Hugh Laurie e Imelda Staunton (Sr. e Sra. Palmer), que mais uma vez vivem um casal - a outra vez foi em “Para o Resto de Nossas Vidas”.

O diretor Ang Lee mostra aqui mais um pouco de sua versatilidade. Ele dirigiu (muito bem) filmes tão diferentes entre si como “O segredo de Brokeback Mountain”, “Hulk”, “O Tigre e o Dragão” e “Razão e Sensibilidade”. Ang Lee não havia lido o romance de Austen quando recebeu o roteiro de Emma Thompson.

A primeira versão do roteiro tinha 350 páginas manuscritas. A versão final foi uma combinação desse primeiro rascunho e outros 13 rascunhos nos quais a atriz vinha trabalhando durante quatro anos e meio. Curiosamente, ela tinha em mente para os papéis principais as irmãs Natasha e Joely Richardson.

Gostei muito do livro e do filme; recomendo ambos. O próximo romance de Jane Austen na minha lista de leituras será Emma.

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Para saber mais:

Sem Perdão

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Nestes dez contos , Frederick Forsyth nos oferece histórias interessantes, cujos personagens variam de magnatas poderosos a velhos que perderam tudo, de pessoas comuns que decidem mudar sua vida a trapaceiros que tiveram um dia daqueles…

Os contos são muito bem escritos, com o estilo característico de Forsyth, que preza pelos detalhes minuciosos, resultado de muita pesquisa, com uma escrita ágil e envolvente, e gostosa de ler. Uma característica peculiar destes contos são os finais surpreendentes, com reviravoltas na trama ou surpresas reveladas que nos farão sorrir ou parar, estupefatos.

Frederick Forsyth nasceu em 25/08/1938 em Ashford, na Inglaterra. Foi um dos pilotos mais jovens da Royal Air Force aos 19 anos e mais tarde trabalhou na Reuters e na BBC, como correspondente diplomático assistente. Ele vive hoje em Hertfordshire, Inglaterra. Seu primeiro livro, The Biafra Story, foi publicado em 1969 e seu romance mais recente é O Afegão (2006).

Forsyth usou técnicas de pesquisa jornalística para escrever seus romances, incluindo os sucessos O Dia do Chacal e O Dossiê Odessa, ambos transformados em filmes. Seus livros sempre envolvem assuntos atuais, política, conspirações, assassinatos, suspense, com tramas meticulosas e detalhadas, apoiadas por uma extensa pesquisa factual.

A visão moral de seus livros é cruel: o mundo é composto de predadores e presas, e apenas os fortes sobrevivem. Como nestes contos, em geral há uma reviravolta na trama no final do romance, revelando surpresas que o leitor não suspeitava, e que explicam motivos e fatos.

Em uma entrevista para o Times em 2006, ele explica:

“Não tenho nem uso computador. Uso uma máquina de escrever eletrônica e Tipp-Ex (corretor). Datilografo do mesmo modo desde que era um repórter iniciante: dois dedos e o dedão para a barra de espaços. Não tenho celular, mas umas 12 vezes por ano eu realmente preciso de um - mas sou cara-de-pau o suficiente para abordar um estranho e pedir: “Pode discar este número para mim?” A maioria responde: “Claro, meu chapa”.

Transformei o andar superior da queijaria em uma longa sala para escrever, onde mantenho as cortinas fechadas. A preparação para escrever um romance é um processo demorado. Passo um ano pesquisando e criando os personagens e a trama dentro da minha cabeça antes de escrever a primeira palavra. Para meu novo livro (O Afegão) fui a Washington, Kabul, Islamabad e Peshawar. Normalmente eu tenho um contato, um amigo ou o amigo de um amigo, que pode arranjar os encontros com pessoas com as quais tenho de falar: o chefe de polícia, o diretor da prisão, o chefe das forças especiais.”

Alguns contos de Sem Perdão (No Comebacks, 1982, com tradução excelente de Pinheiro de Lemos) se passam na Irlanda, onde o autor vivia na época em que escreveu o livro. Apesar de bem diferentes entre si, as histórias têm em comum o cuidado com os detalhes, um certo tom moralista e o final surpreendente. É um livro para se ler e saborear, com histórias que ficarão na memória. Uma ótima sugestão de leitura!

Sem Perdão

O bilionário Mark Sanderson podia ter tudo o que quisesse… menos Angela Summers. Como não há nada que o dinheiro não possa comprar, ele achou que era uma simples questão de remover os obstáculos para conseguir o que queria. Mas ele não contava com uma chuva inesperada.

“Mark Sanderson gostava das mulheres. Da mesma forma como gostava dos steaks do gado de corte Aberdeen Angus, sempre ao ponto, acompanhados por uma salada de alface. Consumia a ambos com igual prazer, se bem que passageiro. E cada vez que se sentia um pouco esfomeado, por uma coisa ou outra, telefonava para o fornecedor apropriado e encomendava o que precisava no momento, a ser enviado para a sua penthouse. Podia se dar a esse luxo, pois era várias vezes milionário. E em libras esterlinas, diga-se de passagem, o que sempre é válido destacar nestes tempos conturbados, pois custam cada uma pelo menos dois dólares. “

Não há cobras na Irlanda

O capataz irlandês Big Billie Cameron não imaginava que pudesse ser vítima da vingança da deusa hindu Shakti; mesmo um plano cuidadoso pode estar sujeito aos caprichos do destino e da deusa vingativa, com consequências desastrosas.

“No instante em que pronunciava a última palavra, Big Billie desferiu um golpe violento, a mão aberta indo acertar no lado do rosto de Ram Lal. O rapaz foi lançado ao chão, a alguns metros de distância. A cabeça zunia. E ouviu Tommy Burns dizer:

- Fique no chão, rapaz. Big Billie vai matá-lo, se você se levantar.

Ram Lal levantou os olhos para a claridade do sol. O gigante estava parado diante dele, com os punhos cerrados. Ele compreendeu que não tinha a menor possibilidade numa luta contra aquele irlandês do Ulster. E foi invadido por sentimentos de vergonha e humilhação. Seus ancestrais haviam cavalgado, empunhando lanças e espadas, por planícies cem vezes maiores que aqueles seis Condados, conquistando a tudo o que encontravam.

Ram Lal fechou os olhos e ficou imóvel. Depois de vários segundos, ouviu o gigante se afastar.”

O Imperador

Ao ganhar uma semana de férias do banco onde trabalhava, Roger Murgatroyd viveu a aventura de sua vida ao enfrentar o gigantesco marlin conhecido como Imperador; aquela pescaria mudaria toda a sua vida.

“Em sua cadeira, o pequeno gerente de banco contraiu-se todo no esforço, apertando os dedos doloridos sobre a cortiça úmida, sentindo as correias se comprimirem contra a sua carne, como se fossem arames em brasa. E agüentou firme, observando a linha de náilon ainda molhada correr diante de seus olhos. Cinqüenta metros se foram rapidamente e o peixe continuava a mergulhar.

- Ele terá de subir novamente - comentou Kilian, observando por cima do ombro de Murgatroyd.”

Há certos dias…

Um simples vazamento de óleo pode alterar tanto os planos de um simples motorista de caminhão quanto os de um criminoso inexperiente; há certos dias em que tudo dá errado… Esta comédia de erros nos leva de um incidente a outro, envolvendo motoristas de caminhão, contrabandistas e bandidos desastrados.

“- Murphy? - indagou ele.

Murphy assentiu e o homem acrescentou:

- Está com a minha mercadoria?

- Fresquinha, saída da barca que chegou hoje da França - respondeu. - Ainda está no caminhão, dentro do estábulo.

- Se abriu o caminhão, vou querer examinar todas as caixas - ameaçou o homem.

Murphy engoliu em seco. Estava satisfeito por ter resistido à tentação de contemplar o saque.”

Dinheiro sob ameaça

Sam Nutkin não poderia imaginar que a descoberta fortuita de uma revista pudesse trazer tanta dor de cabeça; depois de algumas décadas de uma vida e um casamento monótonos e sem alegria, ele decide viver uma pequena aventura, que o colocará em uma situação delicada. O final desta história traz uma revelação inesperada, que surpreende o leitor.

“Seguiu a pé para o banco. No caminho, vasculhou o cérebro à procura de uma solução, recordando as descrições que já lera sobre julgamentos de casos de chantagem. Como era mesmo a expressão legal? Exigir dinheiro com ameaças. Isso mesmo. Uma bela frase legal, pensou Nutkin amargamente, mas não adiantava muito para a vítima.”

Usado como prova

Este é o meu conto preferido do livro; esta história criativa mostra como às vezes, é melhor ficar calado, pois tudo o que disser pode ser usado contra você como prova.

Um simples procedimento de despejo para a construção de um shopping center e seu estacionamento acaba revelando surpresas escondidas em uma velha casa. O velho Larkin é o último morador do antigo conjunto de casas da Mayo Road, agora todas demolidas, exceto a sua. Depois do viúvo ter sido retirado da casa começa a demolição, que revela um ‘tesouro’ escondido ao lado da lareira…

“Na casa, todo o trabalho cessara. Os homens da demolição, em suas capas amarelas e capacetes, estavam agrupados num círculo, nos escombros da casa. Hanley saltou do seu carro e foi avançando entre as pilhas de escombros até o lugar em que os homens estavam.

Por trás dele, entre o que restara da multidão, alguém murmurou:

- É o tesouro do velho. - Houve um murmúrio de assentimento e a mesma voz acrescentou: - Ele tinha uma fortuna enterrada na casa. Por isso é que não queria ir embora.

Hanley chegou ao centro do grupo e olhou para o que atraía a atenção de todos. A base da chaminé demolida ainda estava de pé, com cerca de dois metros de altura, cercada por pilhas de destroços. Ainda se podia ver a lareira enegrecida. Ao lado, cerca de um metro da parede externa da casa ainda estava de pé. E ali, no lado de dentro da casa, havia uma pilha de tijolos caídos, da qual sobressaía, encolhida e mirrada, mas ainda reconhecível, a perna de um ser humano. Um farrapo do que parecia ter sido uma meia de náilon ainda estava preso no joelho.”

Privilégio

Bill Chadwick foi vítima de um jornalista incompetente e descuidado, que citou seu nome em um artigo sobre uma empresa falida, insinuando que ele estivesse envolvido em fraude. Após solicitar uma retratação do jornal, sem sucesso, ele estuda as leis inglesas relacionadas a calúnia e percebe que, se processasse o jornalista, acabaria levando a pior. Chadwick então começa a imaginar um modo de esclarecer publicamente o caso. O tema deste conto lembra muito a estrutura do livro QB VII, de Leon Uris, que também trata de um processo de calúnia.

“É justamente o ponto a que estou querendo chegar. Hoje em dia, somente os ricos podem processar os ricos. E nunca no campo da calúnia, em que um homem pode vencer o caso, mas ser obrigado a pagar as próprias custas. Depois de um processo prolongado, para não falar de uma possível apelação, as custas podem ser dez vezes maiores do que a indenização concedida.

“Os grandes jornais, assim como as grandes editoras e outras empresas do ramo, sempre têm seguro contra os processos de calúnia. Podem contratar os melhores advogados.

Assim, quando enfrentam… se me permite a expressão… um homem sem maior importância, não lhe dão a menor importância. Com um pouco de habilidade, pode-se protelar o julgamento de um processo até por cinco anos. E, durante todo esse tempo, as custas legais para os dois lados vão subindo incessantemente. Somente o preparativo do processo pode custar milhares e milhares de libras.”

Dever

Conforme explicado por Forsyth antes do conto, apesar desta história destoar das outras, ele resolveu incluí-la no livro por ter sido contada a ele por um amigo irlandês, que lhe jurou ser uma história verdadeira. É o único conto narrado em primeira pessoa.

Por uma estranha coincidência, um casal irlandês em férias na França encontra um participante acidental de um evento marcante de sua história familiar, e também da independência da Irlanda.

“Bernadette remexeu-se ao meu lado. Ela estava rígida, imersa em seus pensamentos.

E eu sabia quais eram esses pensamentos. Estava se recordando daquelas manhãs frias de maio, quando as botas dos pelotões de fuzilamento ressoavam, ao marcharem dos alojamentos para a cadeia, na escuridão que antecedia o amanhecer. Dos soldados esperando pacientemente no pátio grande da prisão, até que o prisioneiro era levado para a estaca no muro do outro lado.”

Um homem cuidadoso

Este conto também ficou na minha memória por muitos anos; até que ponto um homem cuidadoso pode ir para evitar que sua fortuna caia em mãos indesejadas? Um milionário tem apenas seis meses de vida e não quer que sua detestável irmã e sua família herdem sua fortuna, muito menos deseja deixá-la para o governo. Ele toma todas as providências necessárias, e a solução criativa encontrada por Hanson só é revelada após seu funeral.

“Timothy Hanson era um homem que enfrentava todos os problemas da vida com uma atitude calma e objetiva. Orgulhava-se desse comportamento habitual, a análise serena seguida pela seleção da opção mais favorável e finalmente a consumação determinada dessa opção.

Chegara assim, no vigor da meia-idade, à riqueza e proeminência de que agora desfrutava.

Naquela manhã fria de abril, ele parou por um momento no alto da escada da casa de Devonshire Street, o coração da elite médica de Londres, enquanto a porta preta reluzente se fechava às suas costas, com toda deferência.”

O trapaceiro

Um inocente jogo de pôquer durante uma viagem de trem; um padre que não sabe jogar e uma doação para o orfanato; tudo parecia muito inocente, até que uma coincidência revelou ao Juiz Comyn que o joguinho daquela tarde não havia sido tão inocente assim….

“O homem magro parou de jogar paciência e começou a dar mãos de cinco cartas, que examinava antes de tornar a juntá-las ao baralho. Finalmente, largou as cartas e suspirou.

- Falta muito tempo para chegarmos a Tralee - murmurou ele, ansiosamente.

Recordando posteriormente os acontecimentos, o Juiz Comyn nunca pôde determinar exatamente quem fora o primeiro a mencionar a palavra pôquer. Mas desconfiou que podia ter sido ele próprio. O fato é que pegou o baralho e distribuiu algumas mãos de cinco cartas para si mesmo. Ficou satisfeito ao constatar que uma das mãos era um fullhand, de valete e dez.”

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Para saber mais:

Adotamos uma amiga!

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Desde o último dia 21 de dezembro temos mais alguém na família: é a Nina, um filhote de vira-lata que adotamos. Estas fotos são do dia em que ela chegou aqui em casa:

Ela e os irmãozinhos foram abandonados na porta da clínica/ONG que aceita e encaminha animais para doação, com cerca de uma semana de vida. Os bichinhos ainda nem tinham dentes, e o pessoal do ViraLata os alimentou com papinha de mucilon na mamadeira até começarem a comer ração.

Ela veio para cá com aproximadamente 45 dias, vermifugada e cheirosinha. Depois de uma semana a levamos ao veterinário para a primeira dose de vacina e um check-up. Nina está muito bem de saúde, pesa 1,5 kg e tem um apetite ótimo.

Agora a estamos treinando para fazer xixi e cocô no liugar certo, ou seja, em cima do jornal. Não é fácil, e segundo o médico alguns cães aprendem em uma semana, outros demoram um mês. Como toda criança, às vezes acidentes acontecem, e a ‘mamãe’ aqui precisa ter muita paciência…

Há dois anos perdemos nossa querida cachorrinha Laila, depois de um período difícil de doença e sofrimento para o bichinho, que nos deu alegrias por 11 anos. Agora começamos tudo de novo; já sabemos que um cachorro dá trabalho, faz sujeira, limita a liberdade de ir e vir (não dá para deixá-la sozinha muito tempo, nem levá-la para toda parte) e custa caro, mas mesmo assim vale a pena.

Desta vez já sabíamos que seria um vira-lata, e que seria adotado. A Nina ganhou um lar e deixamos de comprar um cão de raça que, além da maior probabilidade de vir a ter problemas de saúde, estaria tomando o lugar da adoção de um cão abandonado.

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Hoje soube de uma história comovente: o Laercio Muniz, de São Paulo, está cuidando de uma cadela de rua que foi atropelada em frente à sua casa. Por coincidência, ela também chama Nina.

No blog Nina não vai morrer Leandro conta a história do atropelamento, que aconteceu no dia 7 de dezembro de 2009, e dá detalhes da recuperação da cadela. Ela já foi operada, e está se recuperando muito bem. Nina não vai morrer não! :-)

Leandro também está pedindo que os amigos contribuam para o pagamento da operação (que custou R$ 1.600,00). Os detalhes da conta para depósito estão lá no blog; quem quiser ajudar, veja aqui os detalhes. O e-mail do Leandro para contato é ninaid@zipmail.com.

Esta é a Nina do Laercio, vejam que fofura:

E esta é a nossa Nina, fofa e sapeca aos dois meses de idade; vejam como cresceu!

São duas cachorrinhas de sorte, pois ganharam uma segunda chance e um lar cheio de carinho. Se você quer ter um cãozinho (ou um gatinho), pense em adotar um. Todas as cidades têm locais onde você pode escolher um animal para adoção. Se quiser mais informações, leia os artigos abaixo:

  • ViraLata - pet shop e adoção de animais (ONG Adote Já)

Rua Duarte de Freitas, 246 - Mogi das Cruzes - SP

Tel: (11) 4796-2102

E leia também:

E se eu estivesse na Wikipedia…

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Recebi (pelo Twitter) um desafio do Henderson Bariani, escritor e autor do blog Depokafé. O desafio lançado a diversos blogueiros amigos foi o de escrever um texto nos moldes deste texto. Desafio aceito, e aqui está meu “verbete” na Wikipedia:

Cristine Martin

Origem: Wikipedia, a enciclopédia livre

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Cristine Martin (07 de maio de 196407 de maio de 2054) foi uma escritora, tradutora e artesã brasileira, com diversos romances publicados. Ela foi a segunda brasileira a receber o prêmio Nobel.

Biografia

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Nascida em Mogi das Cruzes - SP, Cristine mostrou desde cedo o interesse pelos livros; passava horas na biblioteca da escola, lendo avidamente, o que lhe valeu  a alcunha de “Rato de Biblioteca”. Durante a adolescência seus interesses incluíam, além dos livros, música e as artes manuais. Autodidata, ela experimentou diversas técnicas de artesanato e artes gráficas, mostrando especial interesse pelo desenho e crochê. Escritora prolífica de textos que não mostrava a ninguém, ao final do curso universitário decide queimar toda sua produção literária em uma grande fogueira.

Graduou-se em Nutrição na UMC, mas não chegou a exercer a profissão. Durante alguns anos dedicou-se exclusivamente ao marido e às filhas, enquanto fazia trabalhos artesanais por hobby, além de cultivar extensas leituras e traduzir livros e artigos. Começa a confeccionar bolsas artesanais para si e para presentear as amigas, e com o sucesso obtido inicia uma nova griffe de bolsas artesanais de crochê e tecido[1]. Como sempre, trabalha sozinha.

Pouco antes da virada do milênio, começou a dedicar-se em tempo integral à tradução. Foi considerada uma excelente tradutora técnica e de legendagem, tendo feito a legendagem de diversos clássicos contemporâneos do cinema, como Avatar 3, Superman 7 - a saga continua e o vencedor do Oscar de 2012, Um lírio para Shoshanna.

Nessa mesma época cria e mantém dois blogs[2], além de colaborar esporadicamente com textos de sua autoria para diversos sites de literatura e jornalismo. Adepta fervorosa da Internet, participa de grupos de discussão, listas de tradutores e de artesãos, além do Twitter e do MSN.

Após vários anos de trabalho exaustivo com traduções, literatura e os blogs, além do trabalho artesanal reconhecido por todo o Brasil, Cristine Martin sofre um infarto aos 50 anos, felizmente sem sequelas.

O incidente resultou em uma mudança radical em seu estilo de vida; conforme confidenciou à sua amiga Norma, “a vida é muito curta para se passar trabalhando 16 horas por dia”.

Ela reduziu drasticamente suas atividades em todos os setores, mantendo apenas o blog Rato de Biblioteca (”que mantém minha sanidade mental”, como disse em uma rara entrevista à revista Letras & Cia[3]) e trabalhos esporádicos de tradução para clientes antigos e fiéis.

Em 2016 muda-se com o marido para Guararema, cidadezinha no interior de São Paulo, onde vive até o final da vida. Nessa época recomeça a escrever, “sentada à sombra das laranjeiras com meu laptop”. Adota o vegetarianismo e faz longas caminhadas diárias.

Seu primeiro livro, o romance autobiográfico À sombra da laranjeira sentei-me e sorri“  teve excelente aceitação de público e crítica. Entretanto, a autora não concordou em participar de noites de autógrafos, fato que se repetiu no lançamento de seus próximos livros.

Cristine Martin obteve dessa forma a fama de excelente escritora e “velhota excêntrica”, recusando-se a participar de entrevistas na TV, e raramente concedendo entrevistas pela Internet ou na mídia escrita. Com o tempo, suas excentricidades foram aceitas pelo público, que sempre podia trocar ideias com a autora por e-mail ou no Twitter, hábito que nunca abandonou, até a desativação da rede social em 2030.

Quase no final da vida, a escritora recebeu o Prêmio Nobel de Literatura de 2051 pelo seu livro “Aldeias Mortas“, sendo o segundo Nobel concedido a um brasileiro, e o primeiro de literatura (o primeiro brasileiro a receber o prêmio foi  Luciana Naomi Hikawa, que recebeu o Nobel de Medicina de 2020). Como já era esperado, Cristine não compareceu em Estocolmo para receber o prêmio[4].

Em 2064, no dia do seu aniversário de 90 anos, Cristine Martin morre de causas naturais em seu sítio, cercada pela família, seus 10 cachorros e 5 gatos. Conforme seu pedido, ela foi cremada e suas cinzas espalhadas pelos jardins de sua casa.

Após sua morte, os direitos de filmagem de seu romance ganhador do Nobel, “Aldeias Mortas”, foram comprados pelo famoso cineasta norte-americano Max Spielberg; o início das filmagens está previsto para 2066.

Referências

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(1) Terracota Bolsas

(2) Terracota Blog e Rato de Biblioteca

(3) Letras & Cia, “Uma autora excêntrica”, edição de julho de 2022

(4) Estadão, “Entrevista exclusiva com ganhadora do primeiro Nobel de literatura brasileiro”, (página da notícia visitada em 13/11/2051)

*   *   *

Adorei soltar a criatividade! Agora veja também outros brasileiros ilustres na Wikipedia:

Luciana Naomi Hikawa, ganhadora do Nobel de Medicina

Henderson Bariani. o culpado disso tudo

Deborah S Capella, outra escritora famosa

Frank Toogood, escritor e criativo

Uma Prova de Amor

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“A maioria dos bebês são acidentes; eu não. Eu fui planejada; nasci para salvar a vida da minha irmã.”

(My Sister’s Keeper, 2009) O resumo da história já sugere o que vem pela frente: Kate Fitzgerald (Sofia Vassilieva), de 15 anos, tem leucemia desde os 3. Sua irmã Anna (Abigail Breslin) foi concebida in vitro para ser geneticamente compatível com ela e doar sangue, medula e o que for necessário para salvar a vida da irmã. Doadora desde que era um bebê, ela agora precisa doar um rim para Kate, cujos rins pararam de funcionar. Aos 11 anos, ela procura o advogado Campbell Alexander (Alec Baldwin) e processa os pais, reivindicando emancipação médica, ou seja, ela quer ter o direito de decidir o que fazer com seu corpo.

Mesmo sabendo o que esperar, este filme foi uma boa surpresa; a família que parecia unida e amorosa, fazendo de tudo para melhorar a saúde de Kate, aos poucos vai revelando seus silêncios, suas distâncias e segredos. Por trás da atitude de Anna, que a princípio parece egoísta, ao recusar-se a doar o rim para a irmã e iniciar o processo judicial, há muito mais que apenas o desejo de uma adolescente de ter uma vida normal.

Da mesma forma, aos poucos vamos conhecendo melhor os personagens, e acompanhando através de alguns flashbacks, os acontecimentos que foram aos poucos transformando a vida daquela família. Por fim vemos que durante todo aquele caminho de sofrimento e dedicação, havia sim muito amor entre todos eles. A história nos faz questionar o que é ser um bom pai ou mãe, e até que ponto os pais podem interferir na vida dos filhos, ainda que pelo bem de outra criança.

A mãe das meninas, Sara (Cameron Diaz), só pensa em manter a filha mais velha viva, e acredita que por mais dolorosos que possam ser os procedimentos médicos para Anna, não podem ser piores que a ideia de ter de enterrar a outra filha. Durante todos esses anos ela submeteu Anna aos procedimentos sem sua permissão, sem pensar no que ela sentia a respeito. Quando ela se rebela e processa os pais, seu pai Brian (Jason Patric) compreende a posição da filha, enquanto a mãe é irredutível. Sara também não procurou saber o que Kate pensa a respeito dessa luta incessante para mantê-la viva.

O filme foi baseado no livro My Sister´s Keeper, de Jodi Picoult. O livro e o filme têm diferenças significativas; enquanto no livro o foco está em Anna e seu dilema, o filme concentra-se em contar a vida de Kate. O personagem Taylor Ambrose (Thomas Dekker), namoradinho de Kate que também tem leucemia, pouco aparece o livro, enquanto o episódio romântico foi mais explorado no filme. O final do livro também é muito diferente, e segundo a autora, foi mudado contra a sua vontade.

Apesar da história contada no livro ser ficção, ela é muito similar à história real das irmãs Ayala. Anissa Ayala foi diagnosticada com leucemia aos 16 anos e precisava de um transplante de medula óssea. Como não havia um doador compatível, seus pais tiveram outro bebê na esperança que ele fosse compatível. Com 14 meses de idade, Marissa-Eve doou medula para um transplante que salvou a vida da irmã. (fonte: IMDb)

Abigail Breslin está crescendo e continua a mostrar que é uma boa atriz. Mas quem ‘rouba a cena’ é Sofia Vassilieva, cuja interpretação consegue transmitir o drama da jovem que sabe que está morrendo e ainda assim, consegue aproveitar cada oportunidade de vida, consciente que seu problema afeta a todos à sua volta. O livro de recortes feito por ela mostra bem a sensibilidade da garota, que percebia tudo o que se passava com sua família e demonstrava seu amor por eles a cada momento.

Kate: “Eu não me importo que o câncer esteja me matando, mas está matando a minha família também”.

Sofia fala sobre seu personagem, Kate: “Há roteiros em que você se apaixona por seu personagem. Se tiver sorte e conseguir o papel, você não deve se recusar a ir até o fim para ser/interpretar esse personagem. Se tiver a oportunidade e não o fizer, é uma vergonha. Raspar meus cabelos foi o mínimo que eu podia fazer por Kate, para viver seu isolamento e a distância que ela teve de uma vida saudável ‘normal’. Interpretar Kate foi como me equilibrar entre duas realidades”. (fonte: IMDb)

O personagem da mãe transmite bem o drama da mulher que abriu mão de tudo em sua vida - sua carreira, sua vida pessoal, o mundo exterior - para cuidar da filha doente em tempo integral. Esse sacrifício, feito com a melhor das intenções, não deixa de trazer consequências para todos. Tanto amor e dedicação acaba transformando-se em apego e medo da perda, uma lição que Sara por fim acaba aprendendo.

O filme toca num ponto delicado, que é a aceitação da morte. Através de duas atitudes opostas - Kate, que sabe que está morrendo e aceita isso com serenidade, e Sara, que não consegue parar de lutar pela filha, por medo de perdê-la - o filme nos faz pensar sobre a hora de aceitar o inevitável e desfrutar de cada momento precioso, em vez de continuar uma batalha inglória. Nesse ponto, é bem similar a “Antes de Partir“, outro filme excelente.

A morte faz parte da vida, e apesar de sentirmos a perda e a saudade das pessoas queridas, também os amamos ao aceitar a hora da partida e deixá-los seguir seu caminho. Nunca é fácil, e poucos temos a oportunidade de dizer adeus e o quanto os amamos. Apesar do sofrimento, poder ter essa oportunidade é um privilégio.

Recomendo esse filme sensível, com bons atores e dirigido por Nick Cassavetes, que também escreveu o roteiro (com Jeremy Leven) e dirigiu o ótimo “O diário de uma paixão“. Prepare os lencinhos e passe na locadora.

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Para saber mais:

  • Página do filme no IMDb
  • My Sister´s Keeper (livro e filme) na Wikipédia (em inglês)
  • Artigo de Marc Siegel no Los Angeles Times sobre o filme e a verdade sobre as questões médicas levantadas
  • Crítica do filme - Marcelo Hessel, no Omelete
  • Crítica do filme - Angélica Bito, no Cineclick


Vídeo: Trailer de “Uma prova de amor”

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